Psicologia ou Boas Maneiras ?

Falar em estratégias para lidar com criminosos e a violência sempre remete à segunda metade dos anos 60, quando houve um súbito aumento da criminalidade em Porto Alegre. Nada comparável aos dias de hoje, claro, mas na época a Capital se assustou com repetidos assaltos a bancos e até bares e restaurantes. Não eram muitos os bandidos “linha de frente”, como eram chamados os mais notáveis, como Julinho, Mina Velha, Orelha de Burro e o Pinguim, este último especialista em roubar carros, abria fuscas em segundos apenas dando um golpe com o punho na fechadura. O método para "abrir" os presos não era nada científico, era na base da porrada mesmo. Vai daí que um dos mais ativos policiais, um comissário, era temido pelos presos por causa das suas enormes mãos e o uso didático que fazia delas. Seu chefe era um delegado, também professor e presidente do Círculo de Pais e Mestres de um famoso colégio. Vivia com sua sala cheia de pais e professores. Aí o comissário entrava na sala e perguntava o que fazer com determinado preso.
- Delegado, posso dar umas porradas no vagabundo?

O delegado então pediu que ele fosse mais discreto para não chocar as visitas. E ensinou um método: ele devia escrever em um dos lados da palmatória de madeira (com furos para não causar hemorragia interna) "boas maneiras" e no outro, ricamente revestido de borracha de pneu a palavra "psicologia". Foi um santo remédio. Daí em diante ao entrar na sala do delegado o comissário simplificava o problema sem ferir ouvidos mais sensíveis.
- Delegado, esse vagabundo que pegamos ontem é linha de frente e não abre o jogo. Uso psicologia ou boas maneiras?



Texto descoberto pelo Alexandre Neuronyo nesse site aqui.